MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Antropólogos, índios e outros selvagens


Antropólogos, índios e outros selvagens

RESUMO Livro do antropólogo Napoleon Chagnon que aborda suas pesquisas entre os ianomâmis é lançado no Brasil. Em entrevista, autor, que direcionou sua carreira para uma interpretação evolutiva do comportamento indígena, fala sobre suas conclusões e comenta a recepção, muitas vezes negativa, de sua obra entre seus pares.
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Sobre Napoleon Chagnon, 76, há só uma unanimidade: trata-se do pesquisador mais polêmico da antropologia contemporânea.
Nesta entrevista, o americano –que lança agora no Brasil o livro "Nobres Selvagens: Minha Vida entre Duas Tribos Perigosas: os Ianomâmis e os Antropólogos" pelo selo Três Estrelas, do Grupo Folha– afirma que a antropologia brasileira representa o que há de mais atrasado no pensamento anticientífico nessa área.
Chagnon critica ainda alguns brasileiros ligados à temática indígena, como o líder ianomâmi Davi Kopenawa, "manipulado por antropólogos e ONGs", e o cineasta José Padilha, autor do documentário "Segredos da Tribo", que "deveria se limitar a filmar Robocop".
Ana Prata
Chagnon estudou os ianomâmis do Brasil e, principalmente, da Venezuela a partir de 1964 e ao longo de 35 anos, em 25 viagens que totalizaram 5 anos entre os índios. Foi o pioneiro no contato com várias tribos isoladas, que acredita serem uma janela para as sociedades pré-históricas nas quais o gênero Homo viveu por milhões de anos.
Foi visto com antipatia por diversos colegas antropólogos por propor explicações darwinianas para o comportamento dos índios –e dos humanos em geral– e ao escrever, em 1968, um livro em que tratava amplamente da violência entre os índios e no qual, desde o título, "Yanomamö: The Fierce People" (sem tradução no Brasil), chamava os ianomâmis de "o povo feroz". Despertou inimizades ao se afastar dos colegas antropólogos, que acreditava mais interessados em fazer política do que ciência, e se aproximar de geneticistas.
Foi em 1988, porém, que causou a fúria dos colegas, ao publicar na revista "Science" um estudo mostrando que os homens ianomâmis com assassinatos no currículo eram justamente os que tinham mais mulheres e descendentes. Em termos biológicos, a violência masculina e certo egoísmo humano seriam estratégias reprodutivas bem-sucedidas, ideia que desagradou fortemente seus colegas das humanidades.
O antropólogo sempre defendeu que os índios que estudou guerreavam movidos por uma insaciável vontade de capturar mulheres, enquanto os livros tradicionais de antropologia diziam que a guerra primitiva tinha motivos como a escassez de alimentos ou de terra.
Chagnon diz que seus críticos são marxistas movidos pela ideologia de que os conflitos humanos se explicam pela luta de classes ou por disputas materiais, e não por motivos mais animalescos, como a busca por sucesso sexual.
Ele afirma que nenhum colega pôde apontar falhas nos dados publicados na "Science". No entanto, antropólogos questionam seu procedimento não só nesse caso como em outros trabalhos (leia ao lado).
Em 2000, o jornalista Patrick Tierney publicou o livro "Trevas no Eldorado" (lançado no Brasil em 2002, pela Ediouro), acusando Chagnon e colegas, entre outras coisas, de terem espalhado sarampo deliberadamente entre os índios. As acusações foram investigadas pela Associação Americana de Antropologia, que inocentou os pesquisadores da grave acusação.
Na entrevista abaixo, feita por telefone, Chagnon trata ainda de temas como a higiene dos índios e os riscos da selva.
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Folha - O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro criticou na internet a publicação do seu livro no Brasil, dizendo que o sr. está ligado à "direita boçalmente cientificista".
Napoleon Chagnon - A ideia de que o comportamento humano tem uma natureza biológica, moldada pela evolução, além da cultura, sofreu muita oposição nas últimas décadas de quem tem uma visão marxista. Está havendo uma mudança de paradigma, mas os antropólogos brasileiros são o último reduto dessa oposição e sempre tentaram impedir meu trabalho.
Marxistas não gostam de explicações que não envolvam a luta por recursos materiais. Para eles, isso explica tudo. Eles diziam, por exemplo, que a causa da guerra entre os ianomâmis era a escassez de proteína –uma tribo atacaria a outra em busca de carne. Nossas observações mostraram, porém, que não havia correlação. Eles tinham abundância de proteína; lutavam, na verdade, por mulheres.
Nos EUA, cientistas importantes, como meu grande amigo Steven Pinker e o professor Jared Diamond, escreveram recentemente livros demonstrando a relevância crescente da psicologia evolutiva.
Os antropólogos latino-americanos me atacam, mas não têm dados para rebater as conclusões que proponho, porque não gostam de trabalho de campo. Eles gostam de argumentos teóricos, de ficar sentados nas suas cadeiras na universidade fazendo ativismo. No entanto, para entender o mundo, você tem de coletar informações a fim de testar suas previsões e teorias. Essa é a base do método científico. A tendência pós-modernista é dizer que não há verdade, que tudo é social ou político. Isso é a morte da ciência.
Esses críticos dizem que sua visão dos ianomâmis é muito negativa. Citam trechos do seu livro em que o sr. descreve criticamente os hábitos de higiene dos índios, dizendo que eles espalhavam muco em tudo.
Tenho muitas críticas à minha própria civilização também, como o excesso de filas. Os ianomâmis não têm uma teoria da transmissão de doenças via germes. Então assoam o nariz na mão e passam no cabelo, nos outros, até na minha bermuda [risos]. A primeira coisa que quis aprender na língua deles foi "não encoste em mim, suas mãos estão sujas", mas não adiantou. Você se acostuma.
Na verdade, você percebe que há coisas mais sérias com que se preocupar. A vida na tribo é perigosa. Há muitas cobras. Um bebê de uma tribo ianomâmi em que vivi sumiu, e os pais concluíram que a única explicação era que tivesse sido comido por uma anaconda. Há ainda muitos insetos, há onças, muitos outros incômodos.
Como é a sua relação com o líder ianomâmi Davi Kopenawa?
Ele é manipulado pelos seus mentores, seus conselheiros políticos, a maioria antropólogos e ONGs, que dizem a ele o que ele deve declarar. Ouço que muitos jornalistas brasileiros têm essa percepção, mas sabem que é impopular dizer isso em público.
As entrevistas com ele costumam ser mediadas por antropólogos.
Pois é. Veja, em uma das minhas visitas aos ianomâmis no Brasil, Kopenawa proibiu o piloto do meu avião de utilizar o combustível que tinha guardado perto de uma das tribos em que ele tinha influência. Ele queria a todo custo que eu ficasse isolado na floresta, fez isso deliberadamente. O piloto teve de conseguir combustível com outros colegas. Essa é uma das razões que me levaram a não ter uma opinião muito positiva a respeito dele.
Kopenawa critica vocês por não devolverem amostras de sangue que coletaram entre os índios em 1967 para estudos científicos na área de genética e que foram parar em bancos de universidades dos EUA.
Sou simpático a esse pedido. Mas essas amostras são 99% de tribos venezuelanas, não brasileiras. Seria horrível se entregássemos tal sangue para os ianomâmis brasileiros, como Kopenawa. Uma tribo ficaria muito assustada de saber que seus vizinhos têm o sangue de seus ancestrais, eles acreditam que isso poderia ser utilizado para fazer magia negra, por exemplo.
É importante dizer que, influenciadas por antropólogos, lideranças ianomâmis tornaram impossível hoje, para qualquer pesquisador, ir a suas tribos e coletar amostras de sangue; foram convencidos de que isso foi um crime terrível que cometemos. Dessa forma, nenhum pesquisador da área biomédica pode agora fazer estudos que envolvam coleta de amostras. Os ianomâmis vetaram para sempre qualquer pesquisa que possa beneficiar a sua saúde e dependa de exames de sangue.
Eu gosto muito dos ianomâmis. Fiquei muitos anos com eles. Eles merecem ser mais bem representados. É nítido que eles precisam de instituições que permitam acesso à medicina moderna, por exemplo. Eles precisam de ajuda.
De qualquer forma, eu não coletei amostras de sangue. Eu só ajudei os médicos a fazê-lo. Eu sou antropólogo. Não estou nem aí para o que acontecerá com as amostras de sangue congeladas nos EUA. Mas seria irresponsável se fossem entregues aos índios errados.
O sr. assistiu ao documentário "Os Segredos da Tribo" (2010), do brasileiro José Padilha?
Padilha mentiu para mim, foi muito desonesto. Ele disse que faria um filme equilibrado, mas nunca mencionou que as acusações feitas contra mim foram completamente desmentidas [pela Associação Americana de Antropologia]. Ele contratou um missionário que falava a língua ianomâmi para fazer as entrevistas com os índios. Esse missionário, amigo meu, depois veio me avisar que Padilha direcionava as entrevistas contra mim, que tudo era feito para criar a impressão de que os ianomâmis me odiavam. O filme é ridículo.
Além disso, Padilha lançou o filme e desapareceu, nunca respondeu às minhas ligações. Na apresentação do filme no festival de Sundance, ele não só não me convidou como chamou três antropólogos inimigos meus para debater. Um deles, Terence Turner, que teve participação ativa na elaboração do filme, me acusava de ser o Mengele das tribos ianomâmis. É doentio. Padilha deveria se limitar a filmar "Robocop".
Depois de trabalhar muitos anos nas universidades do Michigan e de Missouri, o sr. agora é professor aposentado. Aposentou-se também da pesquisa científica?
Não. Continuo trabalhando com os dados que coletei nas tribos ao longo desses anos todos. Estou para publicar vários artigos em revistas importantes, como a "Science", mostrando o impacto de conceitos caros à biologia, como o parentesco, na organização das tribos ianomâmis. Se os antropólogos brasileiros não gostam do meu trabalho, ainda não viram nada [risos]. No caso do público brasileiro, espero que os leitores encontrem no meu livro agora publicado uma melhor compreensão da natureza humana, seja no comportamento dos povos indígenas ou no de um vizinho.
RICARDO MIOTO é editor de "Ciência" e "Saúde" da Folha.
ANA PRATA é artista plástica. 

O "DIREITO AO ESQUECIMENTO"

O "DIREITO AO ESQUECIMENTO"


Manoel Soriano Neto - coronel do Exército, historiador militar e advogado

O jornal Inconfidência, de Belo Horizonte (MG), vem alertando, de há muito, que as doutrinas ou modelos para a conquista do Poder em nosso País, pelos profitentes do marxismo-leninismo, mudaram de modo radical. Atualmente, eles se valem de métodos mais sutis e sofisticados que os da revolução armada (guerra revolucionária). Para tal, usam, amiúde, técnicas psicológicas de controle mental e ‘baldeação ideológica’, para a ‘conquista dos espíritos’, ou como hoje se diz, para ‘ganhar corações e mentes’. As teorias do ideólogo do marxismo na década de 1930, o italiano Antônio Gramsci, são assaz utilizadas e tiveram guarida na América Latina, por meio do Foro de São Paulo, entidade 'bolivariana' sustentada, econômica e logisticamente pelo Brasil, ao tempo dos governos petistas. 

Outrossim, tal fato vem sendo iterativamente lembrado pelo ‘Inconfidência’, que sempre usa o oportuníssimo bordão “Esquecer também é Trair!” (referindo-se, em especial, à traiçoeira e covarde Intentona Comunista de 1935 – a maior e mais torpe agressão já sofrida pelo Exército Brasileiro – e aos atos terroristas pós-1964, contra o Estado Brasileiro), perpetrados por facinorosos seres humanos. Ora, essas barbaridades não podem ser esquecidas, de forma covarde e omissa, por um silêncio obsequioso, e, principalmente, ominoso. 

Recordemo-nos de que a Lei da Anistia, de 1979, é repudiada, na atualidade, pelos subversivos derrotados no passado, haja vista o infame relatório, com uma nominata de mão única, elaborado pela facciosa Comissão Nacional da Verdade. Aduza-se, a propósito, que a revisão da mencionada Lei poderá ocorrer já no presente ano, tão logo a nomeada procuradora-geral da República, Raquel Dodge, tome posse, em setembro próximo. É que ela sempre apoiou a necessidade da reinterpretação (e não revogação) da sobredita Lei. 

Assinale-se que o STF reconheceu a sua validade, em 2010; porém a ação continua em julgamento e está nas mãos do ministro Luiz Fux, em face da existência de embargos de declaração que foram impetrados. A imprensa vem noticiando que o tema será uma das prioridades da gestão da futura procuradora, porquanto ela é francamente favorável ao entendimento da Corte Interamericana de Direitos Humanos (para este tribunal internacional, a legislação brasileira não deve se aplicar a crimes como homicídio, ocultação de cadáver e tortura). 

Mas façamos uma comparação do que antes foi expendido com o denominado ‘Direito ao Esquecimento’, posto que são assuntos perfeitamente imbricados.

O STF está a discutir a tese do chamado “Direito ao Esquecimento”, no julgamento de uma ação interposta pela família de Aída Curi, barbaramente morta, em 1958, no Rio de Janeiro, fato que foi rememorado em uma dramatização pela Rede Globo (aguarda-se o pronunciamento da Suprema Corte, já  estando em curso as audiências públicas). Tal Direito surgiu após a Segunda Guerra Mundial, na Alemanha e na França, espraiando-se pela Europa. Notórios criminosos de guerra apelaram à Justiça a fim de que fosse impedida a divulgação de suas ações delitivas pretéritas, por intermédio da imprensa falada, escrita e televisada, do teatro, do cinema, etc. Os principais argumentos brandidos eram/são os do ‘direito de ressocialização’ ou ‘direito à regeneração’ do criminoso (como aliás prescreve, no Brasil, a CF/88, quanto aos apenados, a fim de que tenham a chance de reconstruir as suas vidas, etc.), e o de evitar danos, em especial os morais, a seus descendentes e afins, se revolvidos fatos delituosos de suas vivências pregressas. 

Contudo, as Cortes europeias vêm mantendo um posicionamento de priorizar a ‘liberdade de expressão’, a ‘liberdade de imprensa’, a ‘liberdade de informação’, a ‘liberdade de criação’ e a ‘historicidade’ (em todas as áreas, inclusive na social), máxime nos dias hodiernos, quando a internet disponibiliza, livre, universal e democraticamente, o acesso para os seus 3 bilhões de internautas, de todos e quaisquer conhecimentos, que permanecerão ‘ad nauseam’, na ‘memória indelével virtual coletiva’. É que não se pode apagar o passado e relegar ao olvido, a memória de relevantes fatos de valor histórico e social, com vistas à preservação e ao não falseamento da História (lembremo-nos da queima de livros na ‘Revolução Cultural’ de Mao Tse Tung, na China ...) e ao amplo acesso à informação. Restaria, pois, a pergunta que não quer calar: em nosso País, deveríamos admitir, em vista do novel Direito em comento, que as referências à corrupção, na atual conjuntura, e aos atos terroristas do passado recente, fossem escamoteados, obliterando-se registros documentais de elevado teor histórico-cultural existentes? Ainda mais: em caso afirmativo, como ficaria a saúde cívico-moral da Nação, no futuro? 

Destarte, mesmo que a relembrança de atos hediondos e de lesa-pátria praticados por criminosos políticos ou comuns venham a violar a intimidade dos mesmos, a completa difusão de seus atos deletérios não se torna paradoxal com os ditames constitucionais brasileiros, pois os direitos dos inocentes serão sempre preservados e reparados, se for o caso, ‘ex vi’ da CF/88, consoante à opinião de conspícuos e abalizados juristas, tudo segundo o superlativo resguardo do princípio do Bem Comum. 

Que o STF, pois, siga a jurisprudência dos tribunais da Europa e não reconheça a nebulosa tese do ‘Direito ao Esquecimento’ - não existente, diga-se, em nossa legislação -, jamais permitindo que a ‘palavra-talismã’, a ‘palavra-esponja ESQUECIMENTO’ seja aproveitada e aplicada de forma totalitária, para uma amnésia geral, mercê de inaceitável censura político-ideológica, em nosso amado Brasil, de cariz democrático e cristão!

Em derradeiro, concluímos que certa e recerta é a afirmação constante do jornal Inconfidência de que, no concernente a fatos/episódios de memoriabília, de alta traição e covardia, como os anteriormente referidos, ESQUECER TAMBÉM É TRAIR!  

A CONSPIRAÇÃO (CONTRA TEMER)

A CONSPIRAÇÃO (CONTRA TEMER)

Advogado Sacha Calmon – colunista do Correio Braziliense

O inquisidor-mor denunciou o presidente. O blog Imprensa Viva acertou em cheio: “Por mais que o presidente Michel Temer não tenha conquistado altos índices de popularidade, com uma coisa todos devem concordar: nenhum presidente da história do país sofreu ataques tão implacáveis de origens tão distintas e conseguiu se manter de pé como ele. Temer foi alvo de ações ferozes e letais planejadas por setores do Judiciário, incluindo a PGR e o STF, de quase toda a imprensa brasileira, dos artistas, dos partidos de esquerda e de formadores de opinião nas redes sociais e, pelo menos até o momento, conseguiu resistir com elegância. O mérito por ter resistido a forças tão devastadoras é todo de Temer e de mais ninguém. Os empregados da Globo ficaram esbaforidos de tanto pedirem a renúncia do presidente. Nem a Globo, nem os artistas, Janot, Fachin, os partidos de esquerda, os movimentos sociais e sindicais conseguiram convencer a população a ir para as ruas pedir a renúncia”.
O blog prossegue: “Logo que assumiu o poder, Temer lavou a alma dos brasileiros e mexeu com interesses poderosíssimos. Demitiu mais de 20 mil macacos petistas que viviam dependurados na máquina pública, acabou com a mamata dos artistas petistas que viviam das verbas da Lei Rouanet, cortou verbas públicas para jornalistas de aluguel, sites petistas e todos os blogues sujos da esgotosfera, não aliviou Lula dos objetos que ele roubou dos palácios do Planalto e Alvorada, cortou os 80 motoristas de Dilma, acabou com a farra das grandes empresas no BNDES, rompeu contratos com empresas amigas do PT e propôs quebrar as pernas de mais de 13 mil sindicatos do Brasil por meio da extinção da contribuição sindical obrigatória”.
“Como se não bastasse, Temer conseguiu tirar o Brasil da pior recessão em mais de 100 anos, reduziu a inflação, conteve a escalada do dólar, reduziu juros, e o país já estava comecando a gerar empregos com carteira assinada, até que veio a tentativa de golpe. Fiando-se nos baixos índices de popularidade de Temer, a Globo e o PT acharam que o derrubariam com um espirro. Juntaram-se aos bandidos da JBS e armaram um vídeo ‘preparado’ em conluio com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o ministro Edson Fachin. Janot até encarregou seu braço direito na PGR, o ex-procurador Marcelo Miller, para orientar Joesley Batista, que conseguiu um belíssimo acordo de delação premiada”.
Temer foi à guerra contra o grupo JBS do criminoso confesso Joesley Batista. “Em uma sequência devastadora de ataques Temer encerrou uma linha de crédito de R$ 9 bilhıes que a J&F tinha na Caixa EconÙmica, cancelou um contrato de fornecimento de gás da Petrobras para uma termelétrica do grupo e elevou o teto das multas da Comissão de Valores Mobiliários de R$ 500 mil para R$ 500 milhões. A JBS é alvo de nada menos que nove inquéritos na CVM. Temer literalmente quebrou as pernas de Joesley Batista”.
A conspirata visa a derrubar Temer, que reagiu. Expôs Janot de forma cruel ao insinuar que ele recebeu dinheiro por meio de Miller, que deixou o Ministério Público Federal para atuar em um escritório de advocacia que negociou o acordo de leniência da JBS. “Talvez os milhões de honorários recebidos não fossem apenas ao assessor de confiança [Miller], mas eu tenho responsabilidade e não farei ilações. Tenho a mais absoluta convicção de que não posso denunciar sem provas”, disse Temer, referindo-se ao ex-procurador como “homem da mais estrita confiança de Janot”.
A ilação de Temer é “presunção” lógica. Ilógica, digo eu, como ex-juiz federal, é dizer que Temer “solicitou” ou “recebeu” R$ 500 mil de Joesley. Mas onde está a prova do recebimento? Sem ela, crime não há. Faça-me o favor, sr. Zveiter. Pode ser Pilatos, mas agiu como Judas. Vá pedir perdão ao seu rabino. Zveiter, da turma do Cabral no Rio, aceitou uma denúncia vazia por pilantragem política e falta de caráter.
É como bem disse Mariz de Oliveira, na defesa do presidente: “Deseja-se encerrar esse tópico exteriorizando-se a mais profunda indignação de um advogado criminal que milita na defesa há quase 50 anos, quanto à afirmação de que o presidente recebeu uma mala contendo R$ 500.000. Prove, sr. Acusador”.
Anularam por envolver a presidente na gravação entre Dilma-Lula (“Use só se for necessário, viu, Lula”). Isso sim é obstrução da Justiça: nomear Lula ministro para dar-lhe foro especial e evitar a prisão, que se esperava que viesse a ocorrer. A gravação que ele armou entre Joesley e Temer, no entanto, é a base de sua acusação. Pode haver, sr. Janot, maior contradição?

A Rede Globo, a mídia da esquerda e os políticos em geral criaram um clima de ingovernabilidade contra Temer. Mesmo com teto de gastos, uma excelente equipe econômica, a reforma trabalhista aprovada, a previdenciária e a economia crescendo. Tirem-no e quero ver o que poderão fazer de melhor. Estou certo de que vão se danar e nós vamos pagar a conta. (16/07) 

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

VOCÊ VAI ENGOLIR CALADO MAIS ESSA IMORALIDADE?

VOCÊ VAI ENGOLIR CALADO MAIS ESSA IMORALIDADE?

Por Humberto de Luna Freire Filho - médico

A essência municipal da democracia

Os políticos brasileiros vem se mostrando absolutamente incompetentes para a gestão da coisa pública, preocupados que estão em garantir as benesses as quais se concedem sem qualquer constrangimento. E nós, eleitores que os colocamos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, não somos consultados e sim tidos e havidos como massa de manobra. Ainda agora, suas excelências cogitam de uma fórmula que lhes permita continuar em seu dolce far niente, para variar, às nossas custas. E tome de Fundo Eleitoral, “distritão” e outras cositas mas.
Formas de corrigir tal estado de coisas existem. Ainda há, quero crer, entre os “nobres” parlamentares, uns poucos dignos e honestos. São estes os que merecem nossa confiança e o nosso voto. Há que levar-lhes propostas exequíveis e cobrar a sua apresentação no plenário, nas comissões, nas entrevistas, etc.
Caso não sejam atendidos os reclamos da “parcela pensante” do nosso povo estaremos caminhando, de forma acelerada, para problemas tais como, em caso extremo, a guerra civil. O tempo vai se fazendo curto. Caberá, aos que se dizem nossos representantes, evitar que cheguemos a tal ponto. 
OJBR

Novo post em VESPEIRO


por Fernão

Quinze dias atrás, com “Um caso de cura da nossa doença”, mostrei aqui como, começando pelo Oregon, em 1902, as “reformas Progressistas” empurradas por Theodore Roosevelt presidente implantaram o sistema de democracia semi-direta que pôs o comando da política nas mão dos eleitores e a corrupção sob controle nos EUA após uma crise em tudo semelhante à do Brasil de hoje.
Essa revolução esgueirou-se pela brecha aberta pela constituição da Califórnia de 1879 que garantiu às suas cidades o direito de criar as próprias constituições. A política de todo o Oeste do país era dominada pelos donos das ferrovias que controlavam as estruturas partidárias estaduais.
Operando serviços públicos essenciais que só forneciam a quem lhes declarasse obediência, os caciques a soldo das ferrovias tinham força para bloquear ou desfazer todas as reformas tentadas por prefeitos independentes. Ao fim de dez anos de luta contra os chefões em São Francisco, Los Angeles inscreve na sua, no mesmo 1889 em que saíamos do absolutismo monárquico para entrar aos tropeços na Republica, os direitos de iniciativa, referendo e recall que só chegariam à constituição estadual da Califórnia em 1903. A partir daí foi uma avalanche. Sacramento em 1903, San Bernardino, San Diego, Pasadena e Eureka em 1905, São Francisco em 1907, todas foram adotando as mesmas ferramentas.
O Movimento Progressista dividiu-se então em duas linhas aparentemente conflitantes no âmbito municipal. Uma procurava dar mais poder aos eleitores com primárias e as demais ferramentas de democracia direta e outra, nascida meio por acidente, empurrava no sentido oposto de substituir políticos eleitos por executivos dispensados da obrigação de seduzir eleitores para exercer funções públicas. Nasceram assim os “governos de comissão” que ate hoje são a opção da maior parte das cidades americanas. Galveston, Texas, arrasada por um furacão em 1900, criou o modelo. A prefeitura mostrou-se incapaz de restabelecer a ordem e a cidade determinou, então, que uma comissão de especialistas acumulando poderes executivos e legislativos fosse nomeada para comandar a reconstrução. Funcionou tão bem que ela continuou no poder pelo voto a partir de 1903. Não demorou muito e Houston, Dallas, Forth Worth, Austin e El Paso adotaram o modelo.
As comissões consistiam em cinco a sete administradores eleitos em pleitos não partidários, cada um com poderes sobre uma área das atividades do governo municipal (obras publicas, segurança, finanças, saneamento, etc). O sistema convivia com os mecanismos de iniciativa, referendo e recall. Mesmo debaixo de uma enorme celeuma por colocar uma distância maior entre executivos e eleitores e ferir o sentido republicano prescrito pela constituição nacional de governo de representação e separação dos poderes, o modelo se foi espalhando como uma febre, imposto com as ferramentas da iniciativa e do referendo por munícipes cansados da corrupção e da ineficiência dos políticos.
Novas combinações foram sendo experimentadas ao sabor dos acidentes de percurso. Daytona, Ohio, quase destruida por uma grande enchente em 1913, elegeu cinco especialistas que indicaram um "manager" para executar suas deliberações. Berkeley, em 1921-22, assolada por uma crise financeira arrasadora, tipo Rio de Janeiro, tentou outra variação de convivência entre poderes executivo e legislativo de seu "council" e respectivos executivos.
Ao cabo dessas e outras experiências dois modelos principais acabaram por consolidar-se. Nos governos de "council-mayor" uma comissão é diretamente eleita e tem poderes para deliberar as políticas, votar desapropriações, estabelecer objetivos e nomear um profissional para aconselhá-la e executar suas políticas. Nomeia também um prefeito com funções apenas cerimoniais entre seus próprios membros (rotativo em alguns casos; diretamente eleito em cidades maiores). Já o modelo de "city-manager" inspira-se mais diretamente no modelo corporativo. Um conselho eleito nomeia uma espécie de CEO que, por sua vez, nomeia uma “diretoria” para executar as políticas do conselho em cada área de especialização. Esses conselhos têm poderes legislativos restritos. As leis mais importantes, de qualquer maneira, propostas pelo povo ou pelos legisladores, vão a voto direto.
O objetivo é profissionalizar a gestão pública e torna-la tão ágil quanto o resto da economia privada. Quem não desempenhar perde o emprego, dispensando-se processos políticos. Esse modelo, hoje, é usado em 40% das cidades americanas de porte médio para baixo.
O país migrou, portanto, de um sistema totalmente amarrado ao principio representativo e à política partidária para outro libertado do apego a falsos critérios de coerência ideológica e regido exclusivamente pela conveniência prática que mistura à invenção política dos “pais fundadores” a eficiência da gestão corporativa inventada por seus empresários, tudo mediado por ferramentas que dão poder absoluto ao eleitor. O sistema representativo puro sobreviveu intacto só no nivel federal. No municipal e estadual, embora toda a reforma tenha começado para defender o povo da ganância dos "robber baron", o povo também reconheceu o progresso induzido por eles do qual era beneficiário. Tiveram a inteligência de impor-lhes um freio por cima (a legislação antitruste) mas, ao mesmo tempo, institucionalizar o que tinham feito de bom (as técnicas de gestão).
Desde então, os americanos têm sido absolutamente inflexíveis em manter nas mãos dos eleitores o direito de propor diretamente ou dar a ultima palavra sobre as leis que se comprometerão a seguir mas recorrido à contribuição de especialistas dispensados da obrigação de seduzir eleitores para desenhar as melhores possíveis, permitindo-se errar quantas vezes for preciso nessas tentativas até chegar ao melhor resultado ... que não hesitam em alterar mais adiante se novas necessidades assim recomendarem. Trocam "peças defeituosas" (recall) e reescrevem suas leis sem nenhuma cerimônia. São absolutamente flexíveis na porta de entrada para dar eficiência ao sistema, mas mantêm estritamente nas mãos dos eleitores o controle da porta de saída.

Senador Magno Malta arrebenta Humberto Costa após senador defender Maduro

Malta arrebenta Costa após senador defender Maduro



Em 2016 STF gastou R$ 385,2 milhões com pessoal

Prezados Senhores

Não apoiaram a proposta de congelamento do aumento salarial os ministros Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Luiz Fux.

Algumas informações para reflexão dos leitores:

1 - Existem 11 ministros ativos, 24 aposentados e 9 pensionistas de ministros.

2 Existem 1.135 servidores ativos, 534 aposentados e 171 pensionistas.

3 - Em 2016 custaram R$ 385,2 milhões.

4- Sendo o custo médio com pessoal Per Capita/mês da ordem de R$17.038,22.


Notícias STF

Quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Ministra Cármen Lúcia diz que “o momento é de sacrifício”

“A exigência é de sacrifício de todos os brasileiros. Nunca vi, nos meus quase 40 anos de serviço público, um momento de tanto sacrifício.” Assim a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, justificou a vedação do reajuste no subsídio dos ministros do STF na proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) apresentada por ela e aprovada pela maioria dos ministros na última quarta-feira (9) à noite. A ministra lembrou que o momento econômico do país “exige prudência e responsabilidade”.

Após mais de duas horas de discussões, oito dos 11 ministros concordaram em enviar a proposta de orçamento para 2018 sem a previsão de reajuste nos próprios salários. “Economia é trabalhar com as dificuldades, com os limites, com a escassez. Estamos vivendo um período que temos que levar isso em consideração”, destacou o vice-presidente do STF, ministro Dias Toffoli, ao concordar com a proposta apresentada pela ministra Cármen Lúcia, que pleiteia para 2018 um orçamento de R$ 708 milhões para o STF. O orçamento aprovado no ano passado para 2017 foi de R$ 686 milhões. 

O documento que será enviado pelo STF para o Ministério do Planejamento estabelece um orçamento 3% maior do que o aprovado para 2017. “A proposta apresentada cumpre rigorosamente o que está na Constituição”, frisou a ministra, explicando que o índice aplicado corresponde à inflação e está de acordo com o previsto no artigo 25 da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2018. 

Divergências

O ministro Ricardo Lewandowski abriu a discussão defendendo a necessidade de reajuste nos salários dos ministros com base em estudos realizados por associações de magistrados que indicam perdas inflacionárias de mais de 40% desde 2009. Ele propôs que os ministros do STF enviassem a proposta de LOA com uma previsão de reajuste de 16,38%, mesmo índice de reajuste do projeto de lei proposto por ele em 2016, enquanto era presidente do STF, e que tramita atualmente no Congresso. 


“Os valores são muito baixos, o impacto é mínimo no STF. Há verbas que podem ser realocadas”, justificou. Segundo ele, o impacto do reajuste seria de pouco mais de R$ 2 milhões. Apenas os ministros Marco Aurélio e Luiz Fux acompanharam a proposta de Lewandowski.

Ao apoiar a proposta da presidente, o ministro Gilmar Mendes alertou para o fato de que um aumento no subsídio dos ministros do Supremo impacta diretamente no orçamento de todo o Judiciário, provocando um efeito cascata, uma vez que o índice seria aplicado automaticamente para os salários de toda a magistratura. Ele apresentou dados, segundo os quais, em São Paulo, a média salarial dos desembargadores é de R$ 70 mil. Acima do teto constitucional que tem por referência o salário dos ministros do STF, que é de R$ 33 mil. 

“Temos que parar para refletir sobre isso. Hoje, há juízes que ganham mais do que desembargadores e desembargadores que ganham mais do que ministro do STF. Não há um teto mais furado do que esse”, afirmou o ministro, apoiando o não reajuste.

O ministro Luís Roberto Barroso destacou que os salários pagos acima do teto são uma “fraude” que precisa ser combatida. “Sou solidário à magistratura, mas também sou solidário às pessoas que se sentiriam ofendidas com uma pretensão de aumento do andar de cima. A gente não tem como ceder diante da dura realidade dos fatos”, afirmou, destacando que um eventual reajuste seria um "descalabro” neste momento em que o país enfrenta uma crise gravíssima. 

O ministro Lewandowski afirmou que os altos valores dos vencimentos dos desembargadores paulistas apresentados pelo ministro Gilmar Mendes são resultado de gratificações previstas em lei e decisões judiciais que determinam o pagamento de verbas indenizatórias. Segundo ele, não há irregularidade nesses pagamentos. No entanto, ressaltou que não compactua com o recebimento de valores acima do teto constitucional e que os excessos devem ser verificados pelo CNJ.

O ministro Marco Aurélio também justificou os pagamentos acima do teto. Segundo ele, os juízes muitas vezes recebem gratificações e outros “penduricalhos” para compensar uma remuneração injusta. “Se dribla o teto porque os vencimentos não fazem frente para o magistrado manter uma vida condigna”, afirmou.

O efeito cascata do reajuste também foi lembrado pelo ministro Alexandre de Moraes. “Para se dar o exemplo, não bastam palavras, tem que ter atitude”, disse ele, concordando com a austeridade da proposta apresentada pela ministra Cármen Lúcia. 

Também votaram a favor do envio da proposta de LOA sem reajuste os ministros Celso de Mello, Rosa Weber e Edson Fachin.

Ricardo Bergamini
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quinta-feira, 10 de agosto de 2017

DECLARAÇÕES DE PEDRO STÉDILE DO MST - COMANDANTE DO EXÉRCITO DE LULA


DECLARAÇÕES DE PEDRO STÉDILE DO MST - COMANDANTE DO EXÉRCITO DE LULA

O QUE É POLITICAMENTE CORRETO?


O QUE É POLITICAMENTE CORRETO? 

Hugo Studart, no face 

Universidade australiana promove concurso anual que pede a definição de uma expressão da atualidade. Este ano, a expressão foi "politicamente correto". A definição vencedora dizia o seguinte:

"Politicamente correto é uma doutrina sustentada por uma minoria iludida e sem lógica, rapidamente promovida pelos meios de comunicação, defendendo a idéia de que é perfeitamente possível para alguém pegar um pedaço de merda pelo lado limpo." (CLÁUDIO LESSA, JORNALISTA)

Levei de Renato Riella

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A LÍNGUA DE PAU 

Félix Maier

Em sua obra Pequena História da Desinformação - do Cavalo de Troia à Internet, Vladimir Volkoff fala sobre a “língua de pau” (langue de bois, em francês), adotada como língua oficial pelos antigos países comunistas: “Língua de pau, segundo o Larousse, é uma forma rígida de expressão, nomeadamente no domínio da política, através da multiplicação de estereótipos e de fórmulas congeladas” (pg. 66).

A antiga língua de pau fugia da argumentação e do silogismo e se utilizava de imagens linguísticas e figuras de retórica para fazer propaganda ideológica, como a alegoria, o eufemismo, a tautologia, a catacrese, o truísmo, a prosopopeia, a logomaquia, o pleonasmo, a polissemia, a prolixidade, o paradoxo, o circunlóquio, a metonímia, a metalepse, de modo a dizer platitudes e realizar refutações sofísticas para causar uma eufonia aos ouvidos. Utilizava-se do maniqueísmo simplista para exaltar suas próprias virtudes e demonizar o inimigo. Com o tempo, o idioma russo foi se empobrecendo, tornando-se minimalista. “O dicionário de Dahl contém 22000 palavras; os escritores soviéticos utilizavam 1500” (pg. 68). Enfim, o “idioma fantasma” assume a confissão de Goebbels: “Não falamos para dizer alguma coisa, mas para obter um determinado efeito” (pg. 68). 

Hoje, ocorre, nos meios pensantes, algo semelhante à antiga língua do rígido pau-ferro: o modo “politicamente correto” (PC ou pecê) de se expressar. As antigas línguas de pau, utilizadas tanto por comunistas quanto por nazistas, tentavam camuflar o objetivo ideológico que havia por trás das palavras colocadas no freezer linguístico, que tinha a intenção subliminar de difundir a desinformação. O PC de hoje não tem nenhuma vergonha em assumir, não só a novalíngua, mas também a duplideia (doublethink), que é a crença simultânea em duas ideias contraditórias, a simplificação, o ufanismo, a glossolalia, o tartufismo, a teratologia, o determinismo, o relativismo, a desconstrução, o revisionismo histórico, o assassinato do sinfronismo, a taxonomia do “preconceito linguístico”, a “hagiografia” de terroristas, a catalepsia materialista e o proselitismo ideológico. O paradoxo do mentiroso dos neossocialistas é imposto a toda criatura humana com a mesma ênfase que os islâmicos, extremistas ou não, tentam impor a fé de Alá em todo o planeta.  

O “politicamente correto” é a gramática de pau que orienta a sociedade moderna e tem enorme influência na elaboração das leis, a exemplo da Constituição brasileira de 1988, que subordinou todas as decisões legais a uma palavra abstrata, oca, que nada diz, mas que tem força plena, por ter apelo populista: o “social”. “A questão social não é, apenas, uma questão corporal ou estomacal; é uma questão cerebral a resolver. Não é nas vísceras abdominais; é nas vísceras cerebrais que está a chave do problema humano” (PEREIRA, 2003: 142). William Lind classifica o politicamente correto como “AIDS intelectual”.

Abaixo, alguns verbetes que constarão de meu livro A LÍNGUA DE PAU - Uma história da intolerância e da desinformação (em elaboração):

Politicamente correto - Não se deve chamar um homem baixo de “anão”. Nem de “baixinho”. É politicamente correto chamá-lo de “negativamente avantajado”. Não existe mulher feia, apenas “beleza não praticante”. Preto brasileiro deve ser chamado de “afro-brasileiro” (Gustavo Kuerten, Giselle Bünchen, teuto-brasileiros). Infanticídio não existe mais, apenas “aborto”, um “direito da mulher dispor de seu próprio corpo”. Prostituta não é mais prostituta, é “empresária do sexo”. Papa-defunto virou “empresário do luto”. “Pederasta”, palavra que tentaram riscar do atual Código Civil, passou a ser o inofensivo “gay”. Os proprietários do Dicionário Webster foram obrigados a “riscar” várias palavras, como “crioulo”. Uma deputada distrital do PT, no Governo Cristóvam Buarque, apresentou projeto semelhante, visando riscar do Dicionário Aurélio palavras julgadas “ofensivas”. (Na mesma época, o PT negou a Pelé o título de cidadão brasiliense.) Com essa bobagem semântica - a “novalíngua” -, o movimento do “politicamente correto”, dominado pelas esquerdas, se assenhorou da mídia e aproveita para distorcer fatos que lhe são antipáticos e dourar a pílula que todos devem engolir. Politicamente correto não é nada mais do que “marxismo cultural” ou “multiculturalismo” e tem por objetivo destruir a cultura ocidental e a religião cristã, com a contribuição importante de Georg Lukacs (“terrorismo cultural”), Antonio Gramsci (“longa marcha nas instituições”, ou seja, o domínio das escolas, mídia, até igrejas, para influenciar a cultura) e os integrantes da “teoria crítica” da Escola de Frankfurt, que inicialmente seria chamada de “Instituto para o Marxismo”: Max Horkheimer, Theodor Adorno, Eric Fromm, Wilhelm Reich e Herbert Marcuse. ”A correção política é a carrancuda vingança do rancoroso, intolerante e mal-intencionado idiota sobre tudo aquilo que tem vida no mundo. Não é nada mais do que o recurso insincero e desprovido de humor de mentes tão medíocres, que, para eles, o ressurgimento do stalinismo é preferível à dor de um vislumbre do Ser - é o último vestígio da besta que Nietzsche identificava como ‘ressentimento’. Tais mentes tiram sua melancólica noção de prazer - como as fantasiosas ereções de eunucos centenários - maquiando o pouco que desejam conhecer da História para pessoas que parecem não se conformar com os padrões artificiais dos mais ineptos governos do século XX” (SEYMOUR-SMITH, 2002: 84-5). “Um dos objetivos da "novilíngua" (vide Orwell) é apagar as emoções e tornar tudo pasteurizado, anódino, sem emoção. Os sentimentos devem ser varridos para debaixo do tapete. Tome cuidado com o que fala. O termo ‘crioulo’ pode enquadrá-lo na Lei Caó (cujo apelido nos tempos da UNE era Crioulo). Tudo depende de como se fala, embora a descrição ‘passou por aqui, era um crioulão’ seja adequada. Mas, se fosse vivo, Adolfo Caminha teria problemas com ‘O bom crioulo’ ” (Fritz Utzeri, in O Politicamente correto). Até o Exército Brasileiro se rendeu à língua do PC: não se realizam mais grupos de trabalho para tratar de Recursos Humanos, mas de “Talentos Humanos”. Nos EUA, o jornalista Bernard Goldberg lançou o livro Bias - A CBS Insider Exposes How the Media Distort the News (Tendencioso - Um Conhecedor da CBS Mostra Como a Mídia Distorce as Notícias). Logo, Goldberg foi tachado de “mentiroso”, “extremista de direita”. Uma das teses polêmicas de Goldberg se refere aos doentes da AIDS, cujos números foram escondidos para agradar ao lobby dos homossexuais e das minorias raciais dos EUA (negros e hispânicos), para acelerar as pesquisas de remédios. Por exemplo, dos aidéticos mostrados na TV, 6% eram gays, 16% eram negros e hispânicos e 2% eram drogados. Na verdade, 58% eram gays, 46% eram negros e hispânicos e 23% eram drogados (período estudado: 1992 a 1995). A Universidade de Oxford, nos EUA, lançou uma versão “politicamente correta” do Novo Testamento (Novo Testamento e Salmos: uma versão não excludente), onde há alterações, como: “A expressão Deus Pai passa a ser Deus Pai e Mãe; a oração Pai-Nosso recebe o nome de Pai e Mãe Nossos; foi excluído o termo ‘escuridão’ como sinônimo do mal por Ter conotação racista; eliminaram-se as acusações de que os judeus mataram Jesus Cristo; as mulheres deixam de ser ‘sujeitas’ aos maridos e passam a ser ‘compromissadas’; as crianças devem ‘prestar atenção aos pais’, não ‘obedecê-los’ ” (“Deus Pai e Mãe”, in revista Istoé, 6/9/1995). “Em qualquer país, preconceitos e maneiras ofensivas de pensar ficam entranhados na linguagem e nas instituições sem às vezes nos darmos conta disso. O legado mais positivo do politicamente correto foi chamar atenção para esse fato e nos tornar mais atentos para as situações em que ofendíamos inadvertidamente um grupo ou uma minoria. (...) No ambiente acadêmico, qualquer opinião deve passar pelo teste do debate, e ser mantida ou descartada por seus méritos, não porque alguém disse que ela é aceitável ou inaceitável a priori. O politicamente correto tentou estabelecer códigos do que era apropriado pensar e dizer e, nesse sentido, foi muito nefasto” (Lawrence Summers, reitor da Universidade de Harvard, entrevista a Veja, 31/3/2004, pg. 14). “O politicamente correto consiste na observação da sociedade e da história em termos maniqueístas. O politicamente correto representa o bem e o politicamente incorreto representa o mal. O sumo bem consiste em buscar as opções e a tolerância nos demais, a menos que as opções do outro não sejam politicamente incorretas; o sumo mal encontra-se nos dados que precederiam à opção, quer sejam estes de caráter étnico, histórico, social, moral e sexual, e inclusive nos avatares humanos. O politicamente correto não atende à igualdade de oportunidade alguma no ponto de partida, senão, ao igualitarismo nos resultados no ponto de chegada” (Entrevista de Vladimir Volkoff a Marc Vittelio - site Mídia Sem Máscara, 27/04/2004). “O típico intelectual exasperado de hoje defende sistematicamente reivindicações contraditórias: liberação do aborto e repressão ao assédio sexual, moralismo político e imoralismo erótico, liberação das drogas e proibição dos cigarros, destruição das religiões tradicionais e defesa das culturas pré-modernas, democracia direta e controle estatal da posse de armas, liberdade irrestrita para o cidadão e maior intervenção do Estado na conduta privada, antirracismo e defesa de ‘identidades culturais’ sustentadas na separação das raças, e assim por diante” (CARVALHO, 2000: 90-91). Por pressão de grupos LGBT, MPF e Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, do MJ, o ministério da Defesa irá propor aos legisladores tirar a palavra “pederastia” do Código Penal Militar, que em seu art. 235 trata aquela prática como crime.

AIDS intelectual - Segundo William Lind, Political Correctness is intellectual AIDS. Everything it touches it sickens and eventually kills (O Politicamente correto é AIDS intelectual. Tudo que ela toca adoece e finalmente morre). http://www.blueagle.com/editorials/Lind_982.htm   

Agente de transformação social - “Um termo elegante que significa, em bom português, instrumento de agitprop (CARVALHO, 2000: 274). Segundo o autor, trata-se do uso de crianças como veículos de propaganda e intromissão do Estado ou da mídia nas relações familiares. Um exemplo é o famigerado Kit Gay do MEC. Outro, a Lei da Palmatória. Urge o MEC reeditar livros como Organização Social e Política do Brasil, de Elizabeth Maria Araújo Loureiro, para ensinar a verdadeira cidadania aos jovens, e jogar o politicamente correto no lixo.

Teoria crítica - Ferramenta da Escola de Frankfurt, tinha por objetivo criticar tudo, principalmente as instituições sociais, como a família e a religião, de modo a destruir a cultura ocidental. Essa contracultura ajudou a parir o “politicamente correto”, inclusive no ambiente acadêmico. Toda a cultura tradicional era definida como um conjunto de “preconceitos”, culminando no livro The Authoritarian Personality (A Personalidade Autoritária), de Theodor Adorno. “Eles inventaram uma fraude chamada ‘escala F’, que buscava associar ao fascismo as crenças tradicionais com relação à moral sexual, às relações entre homens e mulheres e às questões familiares. Hoje em dia, o termo politicamente correto favorito contra qualquer um que discorda deles é ‘fascista’” (Willian S. Lind, in “Quem roubou a cultura dos EUA?”).

Stalinismo puritano - Denominação dada pelo diretor teatral inglês, Peter Hall, para a moda do “politicamente correto” em vigor. Para Hall, a esquerda liberal substituiu a antiga direita e hoje promove patrulhamento e censura a trabalhos de intelectuais que ousam escrever palavras julgadas ofensivas. Segundo Hall, um de seus atores secundários recusara-se a dizer a palavra nigger (negro), embora o autor de Um Bonde Chamado Desejo, Tennessee Williams, a tivesse escrito.

Social - Adjetivo de pau, meleca grudada em tudo o que se refere a “politicamente correto”.

Relativismo - “Marx, Freud, Einstein, todos transmitiram a mesma mensagem para a década de 20: o mundo não era o que parecia ser. Os sentidos, cujas percepções empíricas moldaram nossas ideias de tempo e distância, certo e errado, lei e justiça, e a natureza do comportamento do homem em sociedade, não eram confiáveis. Além disso, a análise marxista e freudiana se juntaram para minar, cada uma à sua maneira, o sentimento de responsabilidade pessoal e de dever para com o código da verdadeira moral, que era o centro da civilização europeia do século XIX” (JOHNSON, 1994: 9). Assassinatos de judeus, ciganos e populações do Leste europeu, realizados pelas SS de Hitler, incluíam expressões de pau como “tratamento especial”, “repovoamento”, “a linha geral”, “atos soberanos além do alcance do judiciário”, “envio para o Leste”. Os comunistas também têm seu relativismo moral: comunista não mata, “faz justiçamento”; a feroz ditadura comunista é batizada de “centralismo democrático” ou “governo popular e democrático”. Freud era exímio em criar neologismos relativistas: “o inconsciente”, “sexualidade infantil”, “complexo de Édipo”, “complexo de inferioridade”, “complexo de culpa”, o “ego”, o “id”, o “superego”, a “sublimação”, a “psicologia profunda”. Ideias destacadas, como a “interpretação sexual dos sonhos”, se tornaram conhecidas como o “ato falho freudiano”. O relativismo também afetou a Igreja Católica, durante o Concílio Ecumênico, presidido pelo Papa João XXIII (aggiornamento), reconhecendo as outras religiões também como “verdadeiras”, o que implica tornar a Igreja Católica uma mera seita a mais; essa tese é válida para um sociólogo, mas não para um teólogo católico. A Conferência Episcopal Latino-Americana (CELAM), realizada em Medellin, Colômbia, em 1968, com sua “opção preferencial pelos pobres”, estava infiltrada de tal forma pela esquerda que ela ditou praticamente todas as resoluções finais. A partir daí, surgiu a Teologia da Libertação, com os padres-guerrilheiros, a exemplo de Frei Betto. “Para educar, é preciso saber quem é a pessoa humana, conhecer a sua natureza. A progressiva difusão de uma visão relativista desta coloca sérios problemas à educação, sobretudo à educação moral, prejudicando a sua extensão a nível universal. Cedendo a tal relativismo, ficam todos mais pobres” (Papa Bento XVI, encíclica Caritas in Veritate, n. 61, de 2009, que atualiza a encíclica Populorum Progressio, de 1967, publicada por Paulo VI). Atualmente, o relativismo moral é visto principalmente na onda esquerdista de uma “Nova Era”, onde predomina a “novalíngua” do “politicamente correto”.

Palavra-gatilho - Chavão utilizado largamente por charlatães, mormente esquerdistas. Confunde-se com a língua de pau e o politicamente correto.

Newspeak - “Um dos objetivos da ‘novalíngua’ (vide Orwell) é apagar as emoções e tornar tudo pasteurizado, anódino, sem emoção. Os sentimentos devem ser varridos para debaixo do tapete” (Fritz Utzeri, in O politicamente correto). “George Orwell escreveu seu memorável romance ‘1984’ para protestar contra a revolução semântica perpetrada pelas ideologias coletivistas da sua época, sobretudo o comunismo. A perversão da linguagem e da lógica por regimes totalitários levou o grande escritor inglês a inventar um termo para esse controle político-ideológico das palavras e do raciocínio: newspeak. No Brasil de hoje, subjugado pela mesma ideologia contra a qual Orwell lutou, naturalmente não há falta de colunistas e acadêmicos versados no uso do newspeak, autênticos virtuoses nessa arte nefasta. O articulista do JB Emir Sader não é um desses virtuoses. Seu estilo primitivo carece de sutileza, embora não se possa negar que ele se esforce. De toda maneira, é uma pena que ninguém tenha tido a ideia de criar um software específico para a tradução do newspeak, o que facilitaria muito o trabalho de quem deseja inferir o verdadeiro intuito de autores oblíquos em seus textos melífluos” (Alceu Garcia in Decifrando Emir Sader, publicado em 18/3/2002 no site www.olavodecarvalho.org). Quem sabe este livro seja, enfim, o software para decifrar a novalíngua do politicamente correto? Vale acrescentar, dentro do conceito da “novalíngua”, que comunista não rouba, apenas “expropria”; comunista não mata, apenas “faz justiçamento”.

Gay - O politicamente correto desvirtuou a palavra gay, que substituiu as palavras “pederasta” e “homossexual”. Nas antigas canções, como Old Black Joe, de Stephen Foster, gay significava apenas “alegre” (Gone are the days when my heart was young and gay). No Brasil, o gayzismo persegue pessoas, como o escritor evangélico Júlio Severo e a psicóloga Rozangela Justino. O primeiro teve que residir no exterior, devido a ameaças sofridas após lançar o livro O Movimento Homossexual, considerado ofensivo pelos pederastas, enquanto que a psicóloga foi tolhida de trabalhar integralmente em sua profissão, por tentar ajudar pessoas a se livrar de sua condição homossexual, a pedido destas.

Desconstrução - Crítica abrangente ao pensamento ocidental, foi abraçado com vigor pela esquerda, por feministas e minorias para “fazer crítica social”, levando ao modo “politicamente correto” de se expressar. “Teóricos como Roland Barthes, Pierre Macheray, Jacques Derrida e outros pós-estruturalistas propõem novas maneiras de ler os textos e empreender a crítica da ideologia. Segundo eles, os textos devem ser lidos como expressão de várias vozes, e não como enunciação de uma única voz ideológica, que precise então ser especificada e atacada. Desse modo, exigem leituras polivalentes e um conjunto de estratégias críticas ou textuais que desvendam suas contradições, seus elementos contestatórios periféricos e seus silêncios estruturados” (KELLNER, 2001: 148). “Trata-se de uma estratégia ‘subversiva’ de leitura, que parte do princípio de que qualquer texto, por mais que almeje à clareza e ao rigor, sempre contém pontos cegos ou nódulos de ambiguidade que, devidamente explorados, permitem desfazer as amarras lógicas do raciocínio, inverter suas premissas, anular suas hierarquias de ideias” (“O profeta da desconstrução”, revista Veja no. 1876, pg. 154). Jacques Derrida foi “o doutor Frankenstein da filosofia contemporânea” (idem, pg. 154).

E muito mais. Coming soon!