MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

domingo, 6 de setembro de 2015

Receita X Despesa

Receita X Despesa


Jacy de Souza Mendonça

Ele fez as compras no supermercado, efetuou o pagamento no caixa, mas a mercadoria não lhe foi entregue. Explicou o gerente que o valor recebido fora suficiente apenas para pagar os funcionários e os custos fixos do estabelecimento, nada restando para adquirir o produto; e inúteis fora os protestos do consumidor. 
Comportamento insólito do gerente? Sim, isso nunca ocorreu em negócios com a empresa privada, todavia, é comum, é normal, nas relações com o Poder Público que arrecada 35% dos rendimentos de cada cidadão em impostos a pretexto de custear a prestação de serviços públicos indispensáveis, gasta tudo com seu pessoal e mordomias e, em consequência, falta recursos para a prestação dos serviços prometidos. Inúteis são também os protestos do contribuinte.
 
Isso provoca muitas perguntas. Por que o custo da máquina estatal é tão elevado? – Porque o País foi estruturado como se fora muito rico e os governos gastam como se ele fosse riquíssimo.
 
Por que precisamos de 39 Ministros dos quais nem sabemos o nome, sobre quem nem conseguimos imaginar o que fazem ou deveriam fazer? – Os  países mais ricos do mundo têm apenas 14! Nossos 39 nem cabem na cidade e nos prédios que foram construídos especialmente para eles.
 
Por que precisamos de um avião presidencial de alto luxo e de outros quatro aparelhos a jato à disposição das autoridades 24 horas por dia, a um custo inimaginável?
 
Por que precisamos de quase 600 parlamentares se 60 seriam suficientes? Por que precisamos de duas casas legislativas que só existem em pouquíssimos países, isso mesmo porque a tanto foram forçados por exigências históricas? Nações de muito sucesso têm um reduzido número de parlamentares, sem mordomias, muitas vezes até sem remuneração, que se reúnem apenas alguns dias por ano, hospedados em hotéis.
 
Por que precisamos de funcionários para cuidar de funcionários, como cabeleireiros, engraxates, mandaletes, abridores de portas e janelas?
 
Por que precisamos de vereadores somente para dar nome a praças e vias públicas? – A maioria dos países nem conhece essa figura.
 
Por que precisamos de tantos funcionários públicos? Por que eles gozam das garantias de um estatuto que os distingue dos demais trabalhadores? – A muitos deles foi assegurada em lei estabilidade no cargo, mas pelo menos uma terça parte é integrada por apaniquados sem nenhuma dessas garantias, que poderiam, portanto, ser reduzidos de imediato.
 
Além de vencimentos, diárias, previdência e benefícios em geral, o custo desse pessoal é acrescido das despesas de imensa entourage, de veículos com motoristas, apartamentos, viagens etc.
 
Por que precisamos de tantas entidades e empresas com pessoal dirigente de alta remuneração sustentado pelo governo?
 
Por que precisamos de tantos sistemas de auxílio a pseudonecessitados?
 
Por que necessitamos auxiliar financeiramente outros países?
 
O governo, em vez de corrigir esses desmandos, tem a coragem de encaminhar ao Congresso Nacional proposta de orçamento para 2016 com um déficit previsto de R$ 30,5 bilhões, pretendendo assim forçar os parlamentares a aprovarem o aumento da carga tributária.
 
Duas são as formas óbvias para se chegar ao equilíbrio das contas públicas: pelo aumento da receita ou pela redução da despesa. Aumentar a receita é sinônimo de aumentar a carga tributária incidente sobre o povo brasileiro e todos sabem que não há mais margem para isso. É absurdo transferir mais do que 35% de tudo o que os brasileiros produzem para sustentar essa máquina estatal hipertrofiada e ineficiente. Não se pode exigir do povo que trabalhe só para sustentar governantes; ao contrário, precisamos exigir que os governantes trabalhem para o povo. Só resta o caminho da redução das despesas. Mas os governantes só propõem aumento de impostos...
 
Se no período das vacas gordas alguns desmandos podiam ser ignorados e tolerados, agora, nas vacas magras, devem ser corajosamente eliminados, a fim de que as despesas caibam na receita; a fim de que o governo caiba no PIB. É isso que se chama Estado Mínimo!
 
Se o equilíbrio fiscal for buscado pelo lado do incremento das receitas, teremos mais Estado, mais empresas privadas quebrando, mais desemprego, mais juros, mais inflação, mais recessão; teremos a intensificação do risco Brasil com suas decorrências... teremos mais sofrimento para um sofrido povo.
 
Ainda há tempo para a salvação, mas ele está se esgotando!     
 
03.09.2015