MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964

MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964
Avião voa sobre a orla carioca em 31/03/2014, ostentando faixa com os seguintes dizeres: "PARABÉNS MILITARES - 31/MARÇO/64 - GRAÇAS A VOCÊS O BRASIL NÃO É CUBA". Clique na imagem acima para acessar MEMORIAL 31 DE MARÇO DE 1964 - uma seleção de artigos sobre o tema.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

O Brasil não possui reservas em moedas estrangeiras, mas apenas saldo de caixa

Curiosidade Econômica Brasileira

Ricardo Bergamini

Em outubro de 2017 o Banco Central do Brasil carregava um estoque de dívida externa (pública e privada) no valor de US$ 682,6 bilhões. Deveres monetários do Banco Central em moedas estrangeiras.

Em outubro de 2017 as reservas em moedas estrangeiras, no conceito de caixa, em poder do Banco Central do Brasil eram de US$ 380,4 bilhões. Haveres monetários do Banco Central do Brasil em moedas estrangeiras.

Em outubro de 2017 o Banco Central do Brasil tinha um saldo devedor em moedas estrangeiras correspondentes a US$ 302,2 bilhões.

Conclusão: Se alguém apresentar algum projeto para utilização das reservas é vigarista e picareta, visto que o Brasil possui saldo de caixa em moedas estrangeiras, mas não reservas em moedas estrangeiras. Caso fosse utilizado o referido saldo de caixa aumentaria a dívida líquida do governo.

Arquivos oficiais do governo estão disponíveis aos leitores.

(48) 99636-7322
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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Foro de São Paulo: Democracia pra inglês ver

Foro de São Paulo: Democracia pra inglês ver


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net

Por Luiz Eduardo da Rocha Paiva

Pra inglês ver é a expressão da língua portuguesa usada para indicar algo fictício.
O Minidicionário Houaiss de Língua Portuguesa define democracia como o governo em que o povo exerce a soberania.
Com o aumento populacional e da complexidade das nações, nas democracias modernas, o povo exerce parte da soberania elegendo, livremente, seus representantes para governar e legislar em seu nome. No entanto, o exercício da soberania nas verdadeiras democracias não se limita a eleições livres, como tentam iludir aos brasileiros. Pressupõe, também, a existência de liberdade e justiça, bases do progresso, segurança e bem-estar das nações.
Liberdade para o cidadão expressar o pensamento, escolher o próprio modo de vida e progredir pelo mérito pessoal, tudo sem restrições estatais e sociais ilegítimas ou excessivas. Liberdade que termina onde começa a do próximo. Justiça assentada no respeito aos direitos naturais do ser humano, que legitimam o direito positivo inscrito em leis elaboradas por legisladores. Justiça que submete a todos sem exceção e de forma igual.
O Brasil não é uma democracia, de fato, pois a representação política é autocentrada; o Estado é deveras centralizador e cerceia sobremaneira as iniciativas individuais; e a justiça é leniente ou omissa com os abusos e crimes dos poderosos. Por imaturidade política, deplorável passividade e baixo nível educacional, cultural e cívico, o povo admite a representação política descumprir o dever de governar para a coletividade e usar a corrupção para satisfazer interesses grupais, manter o poder, auferir privilégios ilegítimos e para o enriquecimento pessoal.

O Brasil é uma plutocracia cleptocrática, pois o poder está com uma aliança mafiosa entre políticos e empresários pseudocapitalistas. Essa máfia rouba bens públicos impunemente e se consolidou graças à omissão da sociedade, de autoridades e de instituições que tinham o dever de agir, oportunamente, para impedir sua ascensão.
A aliança afundou o país na pior crise política, econômica e moral de sua história. A mudança de governo, em 2016, criou condições para recuperar a economia e superar a crise política em médio prazo. Porém, quanto à crise moral, a solução jamais viria com o governo substituto, que é apenas a outra face da mesma moeda ignóbil, mas era uma etapa imposta na legislação.
Será preciso recuperar, pela educação, valores cívicos, morais e éticos próprios das sociedades democráticas vigorosas. Eles foram enfraquecidos, a partir dos anos 1960 com a ascensão da esquerda socialista, que atraiu formadores de opinião e aparelhou setores estratégicos da nação, conseguindo um significativo controle do meio cultural, de algumas importantes instituições e de grande parcela da nação.
Uma grande vulnerabilidade para a recuperação do país é uma sociedade moralmente enferma, descrente na justiça, politicamente passiva e sem esperança no futuro. O primeiro passo da cura é extinguir o inadmissível foro especial, fator de impunidade e continuidade dessa máfia e, portanto, o centro de gravidade a ser visado no mais curto prazo. A seguir, é preciso debilitar a liderança fisiológica e a socialista radical, não votando em candidatos envolvidos em corrupção ou com discurso revolucionário que promova a cisão nacional.

A Lava Jato abalou a bastilha brasileira da corrupção ao enquadrar a máfia político-empresarial por meio de uma operação legal, a cargo da justiça, respaldada no direito e legitimada pelo apoio da sociedade. Criou condições para uma autêntica Revolução Brasileira (RB), por contribuir para uma profunda e pacífica transformação político-social, capaz de elevar o país a uma verdadeira democracia. O risco a essa revolução vem das manobras da máfia político-empresarial no Executivo, no Legislativo e com elevados apoios no Judiciário, para escapar da justiça e manter sua nefasta preeminência política. 
Demolir a velha ordem política é mais fácil e rápido do que construir uma nova com sólida base moral. A RB será longa e desafiadora.
A vitória na guerra moral contra a máfia político-empresarial não virá de instituições que, embora sólidas, não funcionam, pois deixaram o Brasil chegar à beira do abismo. A maioria é omissa, conivente ou depõe as armas sem combater.
Como a solução terá de vir do meio político, será decisiva uma vigorosa e permanente pressão da sociedade para depurá-lo e renová-lo, voltando às ruas e atuando nas redes sociais ou diretamente sobre autoridades e instituições, cujos e-mails estão na internet. Lideranças e instituições ainda confiáveis têm o dever patriótico de se posicionar e agir sem mais esperar.
Umas podem fazê-lo de forma pública e outras reservadamente, para conscientizar os Poderes da União sobre a gravidade da crise e as consequências fatais à paz social e à unidade nacional, se continuarem legislando sem compromisso com o futuro da Pátria e arriscando sua sobrevivência. Só se sentindo cobradas, ameaçadas e controladas de forma virtual e factual, mas sem violência, as lideranças perniciosas serão impedidas de continuar fazendo política para si próprias.
A luta envolverá mais de uma geração, pois não se recupera, em médio prazo, uma sociedade por tanto tempo aviltada. Se os brasileiros, por falta de empenho e perseverança, forem vencidos pela máfia dirigente, o país será uma nação sem alma, sem autoestima e tenderá a submergir em um caos político-social.
Um ator moral e politicamente desprezível na comunidade global e sério candidato a cair sob um regime socialista radical, que suprime a liberdade, subjuga a justiça, sepulta o progresso e o bem-estar das nações que escraviza. Em qualquer hipótese, a unidade nacional será rompida, pois sem grandeza moral e perspectivas de futuro um país se esfacela.

Só uma democracia verdadeira garantirá a perenidade do Brasil histórico, o que impõe o fim da plutocracia cleptocrática. Basta de democracia pra inglês ver? Isso só depende de você.

Luiz Eduardo da Rocha Paiva é General de Divisão, na reserva.

França: Muçulmanos Entram, Judeus Saem


segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Um símbolo brasileiro

 Um símbolo brasileiro


Um símbolo brasileiro

*Por Jane Godoy
Hoje é o dia do mais importante símbolo máximo de brasilidade. Esse que, mesmo fora do país, nos identifica e nos emociona: a bandeira do Brasil. Ela representa a nação brasileira diante dos outros povos nos mais distantes rincões do globo.
A bandeira foi apresentada em 19 de novembro de 1889, por meio do Decreto nº 4, quando a República havia sido proclamada, há apenas quatro dias. A história nos conta que esse modelo atual substituiu a antiga bandeira imperial do país. Décio Vilares, com inspiração na bandeira do império, projetou a nossa bandeira, em que colocou o retângulo verde, o losango amarelo no centro e a esfera azul celeste dentro do losango, onde uma faixa branca traz os dizeres “Ordem e Progresso”, baseados nos estudos do filósofo francês fundador do positivismo, Auguste Comte. Na esfera, 27 estrelas representam os 26 estados e o Distrito Federal.
Muita geometria, muita teoria, muito estudo das cores que encontramos em nossa linda bandeira. Mas muito mesmo, de maneira a sufocar até os nossos corações, deveria ser o respeito por ela, em qualquer situação, seja festiva ou adversa.
Professora de Educação Moral e Cívica (EMC) e de Organização Política e Social Brasileira (OSPB) que fui, durante gloriosos 5 anos de minha vida, vejo, com tristeza e nostalgia que hoje, retiradas do currículo escolar, (não sei quem teve essa infeliz e desastrosa ideia), as sábias noções de patriotismo e nacionalismo se perderam no tempo e no coração das crianças e dos jovens. Isso faz com que nossos símbolos nacionais se tornem verdadeiras fantasias para enfeitar a Copa do Mundo, as Olimpíadas, as miniblusas, camisetas e bandanas, os alegres lenços nas cabeças da rapaziada marombeira ou não ou os corpinhos sarados das meninas.
Não! Nossa bandeira brasileira não existe para isso. Justamente no seu dia, volto meu pensamento para ela e para seu verdadeiro significado.
É preciso, com urgência, devolver aos pais que já perderam a oportunidade de aprender na escola o valor do patriotismo e a importância de reverenciar e respeitar os símbolos nacionais.
Tanto em casa quanto nas escolas, todos devemos fazer um trabalho emergencial para que essa geração que começa a ir para a escola tenha tempo de ver resgatado o amor à pátria que seus pais, por culpa exclusivamente do Estado, não tiveram acesso ao que nossa geração teve e que eu tive o privilégio de transmitir como docente.
A escola deve ensinar às crianças noções de amor à pátria e à família. E ensiná-las a respeitar os idosos e seu próximo, como a elas mesmas. E trabalhar mentes para um mundo melhor e mais decente. E formar cidadãos honrados e éticos e trabalhadores.
Com tristeza assistimos à degradação e ao desprezo à educação das crianças e jovens e, pior, a total discrepância entre a verdadeira e correta finalidade da escola: ensinar. Preparar para um futuro profissional brilhante.

Enquanto isso, devemos nós, enquanto família, fazer esse trabalho de forma doméstica e convincente, para o bem de nossos filhos e netos.
Se o Estado não se importa com isso, permitindo interferências maléficas e assustadoras ao ensino que, há séculos, se restringe ao saber por excelência, façamos nós a nossa parte.
Montemos guarda sobre a psique de nossas crianças e as vejamos crescer dignas, respeitadoras, éticas, patriotas e que, como meu neto, menininho de dois anos e meio, empunhe com orgulho a sua pequena bandeira nacional e, mãozinha no peito (foto), peça que cantemos o Hino Nacional Brasileiro. Não existe emoção maior do que presenciar uma cena dessas.
Bandeira brasileira, no seu dia, todo o nosso respeito e reverência!

(*) Jane Godoy – Coluna 360 Graus – Fotos: Viola Junior/CB/D.A.Press – 360 Graus – Correio Braziliense

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

CARTA ABERTA À MINISTRA DOS DIREITOS HUMANOS

CARTA  ABERTA À MINISTRA DOS DIREITOS HUMANOS

Luislinda Valois
Excelentíssima Ministra dos Direitos Humanos, meu nome é Daniel Macedo, sou Defensor Público Federal. Gostaria de compartilhar uma experiência com Vossa Excelência que está revoltada com o seu subsídio que, segundo a senhora, acaba de reposicioná-la à condição análoga à de escravo. (O mesmo vale para o Ministro da Saúde.)

Hoje juntamente com o Conselho Regional de Medicina/RJ inspecionamos o setor de oncologia do Hospital Federal de Bonsucesso. Encontramos uma situação criminosa. Ao passar pelos corredores, encontramos pessoas  em desespero e com muito choro pedindo socorro, pois a quase totalidade delas, pacientes oncológicos, tiveram o tratamento interrompido por falta medicamentos quimioterápicos.

Encontramos uma pastinha, como a senhora pode ver na foto, de pacientes aguardando radioterapia e quimioterapia. São centenas de pacientes que só tem o dinheiro de passagem para chegar ao hospital. Encontramos  o tomógrafo quebrado, quando uma paciente exclamou: 

- Doutor eu gasto R$ 450,00 por cada exame que faço lá fora, pois aqui o hospital não oferece. Soube que entre 3 e quatro pacientes com viabilidade para manterem-se vivos, morrem por causa relacionada à interrupção  do tratamento. 

Senhora Ministra, saímos chorando eu, o Presidente do Cremerj e os dois médicos que me acompanharam na vistoria. Mais de 60% dos tratamentos interrompidos. Uma senhora mostrou-me os caroços em seu pescoço quando  disse: "Doutor, pelo amor de Deus, há dois meses venho aqui e não consigo fazer quimioterapia. Vou morrer."

A senhora veio ao mundo, mas o mundo a senhora não conhece. Não me refiro a sua capacidade intelectual, mas a capacidade de amar e ajudar. A sua preocupação primeira parece ser com o dinheiro. Aqui no meu mundo a senhora sequer é capaz de mensurar a dor de pessoas como as que mencionei. Existe tantas pessoas pobres em nosso país, mas as mais pobres são aquelas que ocupam o alto escalão do Governo e não se compadecem com a dor alheia.

Fica a frase senhora Ministra: "Se as feridas do seu irmão não te causam dor, a sua doença é mais grave que a dele".

A sua frase não foi apenas infeliz, foi um tiro na consciência do bem servir, do amor ao próximo. Por favor, peça exoneração, pois é um serviço que prestará à pátria.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O Multiculturalismo Está Dividindo o Ocidente


Castello Branco: o homem, o chefe militar, o estadista - por general Rocha Paiva

Gen Bda Luiz Eduardo Rocha Paiva

Castello Branco: o homem, o chefe militar, o estadista

Quinta, 09 Novembro 2017
    
 

​Em 2005, a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) completou um século de existência. Na época, eu a comandava e propus, ao Comandante do Exército, que ela recebesse a denominação histórica de "Escola Marechal Castello Branco". Para respaldar a proposta, elaborou-se um documento, no qual foram ressaltadas as qualidades morais, éticas e profissionais do cidadão, chefe militar e estadista, bem como sua forte relação com a Escola. O texto, a seguir, tem o citado documento institucional como fonte, não havendo, portanto, autor específico.
Castello Branco – O homem
Nasceu em Messejana (CE), em 20 de setembro de 1900, filho do Capitão Cândido Borges Castello Branco (mais tarde, General de Brigada) e de Antonieta Alencar, descendente do escritor José de Alencar. Foi educado segundo sólidos princípios e valores morais e éticos, que forjaram caráter íntegro e firme. Esse atributo, a invulgar inteligência, o raciocínio ágil e lúcido e a diferenciada visão estratégica alicerçaram o respeito e a admiração dos que com ele conviveram ou daqueles que estiveram sob sua liderança, no meio civil e na carreira das armas.
Em 1922, casou-se com Argentina Viana, de tradicional família mineira, com quem teve dois filhos - Antonieta e Paulo. Um ano antes de assumir a Presidência da República, quando comandava o IV Exército em Recife (PE), sua esposa faleceu. 
Castello Branco – O chefe militar
Foi declarado oficial de Infantaria em 1921 e, desde cedo, segundo o General Octávio Costa, "firmou-se frente aos subordinados pelos valores morais, capacidade intelectual, tenacidade, dedicação integral à missão e competência profissional". Teve longa passagem na Escola Militar do Realengo, formando os cadetes. A primeira vez, na função de instrutor; na segunda, comandando o Curso de Infantaria.
A participação de Castello Branco na Força Expedicionária Brasileira (FEB), desempenhando a função de E3 da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária, consolidou sua ascendente trajetória profissional. Na Itália, sob pressão extrema, manteve estabilidade emocional e planejou, com habilidade, as grandes vitórias da FEB nos Montes Apeninos e no Vale do Rio Pó. Assim, consolidou seu já elevado conceito entre subordinados, companheiros e chefes militares, brasileiros e estrangeiros.
Foi instrutor, diretor de ensino e comandante da ECEME, conduzindo a elaboração do Manual de Estado-Maior e Ordens e do Regulamento de Operações; e a atualização do Método de Trabalho de Comando. Orientou a evolução da doutrina de concepção francesa, da 1ª Grande Guerra para a norte-americana, emergida nos anos 1940. Teve o mérito de adaptar essa última às características e aos desafios futuros do Exército Brasileiro.
Cultuava a tradição, mas suas palavras mostram que sabia distingui-la de rotina: "A rotina é a tradição corrompida, deturpada e morta, ao passo que a tradição é a conservação do passado vivo. É a luta contra a morte do passado. É a entrega, a uma geração, dos frutos da geração passada. Separar o que merece durar. Deixar sair o que merece perecer".
Castello Branco – O estadista
No cenário conturbado que levou ao vitorioso Movimento Civil-Militar de 31 de Março de 1964, foi o líder naturalmente escolhido pelos pares e acolhido, no nível político, para conduzir os destinos do País, ao ser eleito presidente pelo Congresso Nacional, mantido aberto pelo Comando Revolucionário. Sua atuação na Presidência da República estabeleceu as bases para o extraordinário desenvolvimento que elevou o Brasil, nos anos seguintes, da 48ª para a 8ª economia mundial. Por outro lado, foi exemplo do que deve ser o caráter de todos os que ascendem à liderança em qualquer instituição ou nação.
Seu discurso de despedida da Presidência da República revela um verdadeiro estadista: 
"Não quis nem usei o poder como instrumento de prepotência. Não quis nem usei o poder para a glória pessoal ou a vaidade dos fáceis aplausos. Dele nunca me servi. Usei-o, sim, para salvar as instituições, defender o princípio da autoridade, extinguir privilégios, corrigir as vacilações do passado e plantar com paciência as sementes que farão a grandeza do futuro [...]. E se não me foi penoso fazê-lo, pois jamais é penoso cumprirmos o nosso dever, a verdade é que nunca faltaram os que insistem em preferir sacrificar a segurança do futuro em troca de efêmeras vantagens do presente, bem como os que põem as ambições pessoais acima dos interesses da Pátria. De uns e outros desejo esquecer-me, pois a única lembrança que conservarei para sempre é a do extraordinário povo, que na sua generosidade e no seu patriotismo, compreensivo face aos sacrifícios e forte nos sofrimentos, ajudou-me a trabalhar com lealdade e com honra para que o Brasil não demore a ser a grande nação almejada por todos nós."
Este é um pequeno resumo do que foi Castello Branco - o homem, o chefe militar e o estadista. 
Que falta faz um cidadão desse naipe na liderança política, nesse cenário conturbado e ameaçador como o vivido no Brasil de hoje!

DEMOCRACIA PRA INGLÊS VER, por general Luiz Eduardo Rocha Paiva

DEMOCRACIA PRA INGLÊS VER

General da Reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva

Pra inglês ver é a expressão da língua portuguesa usada para indicar algo fictício.

O Minidicionário Houaiss de Língua Portuguesa define democracia como o governo em que o povo exerce a soberania.
Com o aumento populacional e da complexidade das nações, nas democracias modernas, o povo exerce parte da soberania elegendo, livremente, seus representantes para governar e legislar em seu nome. No entanto, o exercício da soberania nas verdadeiras democracias não se limita a eleições livres, como tentam iludir aos brasileiros. Pressupõe, também, a existência de liberdade e justiça, bases do progresso, segurança e bem-estar das nações. Liberdade para o cidadão expressar o pensamento, escolher o próprio modo de vida e progredir pelo mérito pessoal, tudo sem restrições estatais e sociais ilegítimas ou excessivas. Liberdade que termina onde começa a do próximo. Justiça assentada no respeito aos direitos naturais do ser humano, que legitimam o direito positivo inscrito em leis elaboradas por legisladores. Justiça que submete a todos sem exceção e de forma igual.
O Brasil não é uma democracia, de fato, pois a representação política é autocentrada; o Estado é deveras centralizador e cerceia sobremaneira as iniciativas individuais; e a justiça é leniente ou omissa com os abusos e crimes dos poderosos. Por imaturidade política, deplorável passividade e baixo nível educacional, cultural e cívico, o povo admite a representação política descumprir o dever de governar para a coletividade e usar a corrupção para satisfazer interesses grupais, manter o poder, auferir privilégios ilegítimos e para o enriquecimento pessoal.
O Brasil é uma plutocracia cleptocrática, pois o poder está com uma aliança mafiosa entre políticos e empresários pseudocapitalistas. Essa máfia rouba bens públicos impunemente e se consolidou graças à omissão da sociedade, de autoridades e de instituições que tinham o dever de agir, oportunamente, para impedir sua ascensão.
A aliança afundou o país na pior crise política, econômica e moral de sua história. A mudança de governo, em 2016, criou condições para recuperar a economia e superar a crise política em médio prazo. Porém, quanto à crise moral, a solução jamais viria com o governo substituto, que é apenas a outra face da mesma moeda ignóbil, mas era uma etapa imposta na legislação. Será preciso recuperar, pela educação, valores cívicos, morais e éticos próprios das sociedades democráticas vigorosas. Eles foram enfraquecidos, a partir dos anos 1960 com a ascensão da esquerda socialista, que atraiu formadores de opinião e aparelhou setores estratégicos da nação, conseguindo um significativo controle do meio cultural, de algumas importantes instituições e de grande parcela da nação.
Uma grande vulnerabilidade para a recuperação do país é uma sociedade moralmente enferma, descrente na justiça, politicamente passiva e sem esperança no futuro. O primeiro passo da cura é extinguir o inadmissível foro especial, fator de impunidade e continuidade dessa máfia e, portanto, o centro de gravidade a ser visado no mais curto prazo. A seguir, é preciso debilitar a liderança fisiológica e a socialista radical, não votando em candidatos envolvidos em corrupção ou com discurso revolucionário que promova a cisão nacional.
A Lava Jato abalou a bastilha brasileira da corrupção ao enquadrar a máfia político-empresarial por meio de uma operação legal, a cargo da justiça, respaldada no direito e legitimada pelo apoio da sociedade. Criou condições para uma autêntica Revolução Brasileira (RB), por contribuir para uma profunda e pacífica transformação político-social, capaz de elevar o país a uma verdadeira democracia. O risco a essa revolução vem das manobras da máfia político-empresarial no Executivo, no Legislativo e com elevados apoios no Judiciário, para escapar da justiça e manter sua nefasta preeminência política.
Demolir a velha ordem política é mais fácil e rápido do que construir uma nova com sólida base moral. A RB será longa e desafiadora. A vitória na guerra moral contra a máfia político-empresarial não virá de instituições que, embora sólidas, não funcionam, pois deixaram o Brasil chegar à beira do abismo. A maioria é omissa, conivente ou depõe as armas sem combater. Como a solução terá de vir do meio político, será decisiva uma vigorosa e permanente pressão da sociedade para depurá-lo e renová-lo, voltando às ruas e atuando nas redes sociais ou diretamente sobre autoridades e instituições, cujos e-mails estão na internet. Lideranças e instituições ainda confiáveis têm o dever patriótico de se posicionar e agir sem mais esperar. Umas podem fazê-lo de forma pública e outras reservadamente, para conscientizar os Poderes da União sobre a gravidade da crise e as consequências fatais à paz social e à unidade nacional, se continuarem legislando sem compromisso com o futuro da Pátria e arriscando sua sobrevivência. Só se sentindo cobradas, ameaçadas e controladas de forma virtual e factual, mas sem violência, as lideranças perniciosas serão impedidas de continuar fazendo política para si próprias.
A luta envolverá mais de uma geração, pois não se recupera, em médio prazo, uma sociedade por tanto tempo aviltada. Se os brasileiros, por falta de empenho e perseverança, forem vencidos pela máfia dirigente, o país será uma nação sem alma, sem autoestima e tenderá a submergir em um caos político-social. Um ator moral e politicamente desprezível na comunidade global e sério candidato a cair sob um regime socialista radical, que suprime a liberdade, subjuga a justiça, sepulta o progresso e o bem-estar das nações que escraviza. Em qualquer hipótese, a unidade nacional será rompida, pois sem grandeza moral e perspectivas de futuro um país se esfacela.
Só uma democracia verdadeira garantirá a perenidade do Brasil histórico, o que impõe o fim da plutocracia cleptocrática. Basta de democracia pra inglês ver? Isso só depende de você.